
RMS Mauretania
Antes da facilidade do transporte de passageiros por via aérea, os navios eram usados para as travessias entre a Europa e a América - os Transatlânticos. Aliás, a história da navegação é antiga e fascinante. Basta imaginar a audácia e destemor dos antigos navegadores, que nada sabendo do vasto mundo, se projetavam aos oceanos, sequer tendo ideia de sua extensão, quanto tempo navegariam, se encontrariam terra ou não... O ser humano é um bicho ousado.
Em AMOR À SOMBRA, Aurora usa o RMS Mauretania para ir à América em 1932 e em 1934. O navio teve um histórico de serviço muito honroso. Ficou conhecido como The Old Lady of Atlantic - A Velha Senhora do Atlântico.
O RMS Mauretania foi construído para a Cunard Line pelos estaleiros Swan Hunter & Wigham Richardson, em Wallsend-on-Tyne, Inglaterra, e lançado ao mar em 20 de setembro de 1906, para a reconquista do prestígio marítimo britânico, ameaçado pela rápida ascensão da marinha mercante alemã.
O projeto foi concebido pelos engenheiros navais Leonard Peskett, da Cunard Line, responsável pelo design geral do casco e pela arquitetura naval, e Charles Parsons, o inventor das turbinas a vapor que moviam o navio — inovação que mudou para sempre a engenharia marítima. As turbinas foram montadas em quatro eixos independentes, capazes de gerar cerca de 68.000 shp (shaft horsepower), numa combinação de potência inédita e vibração mínima, quando comparados aos motores a pistão que dominavam a navegação até então. O navio aliou três qualidades que o mantiveram no topo por quase três décadas: era veloz, seguro e elegante.
Com 240 metros de comprimento, 26,8 metros de boca, volume interno superior a 31.900 toneladas brutas e capacidade para 2.165 passageiros e 802 tripulantes, o Mauretania era, em 1907, o maior e mais veloz navio do mundo.
Em sua viagem inaugural, atingiu uma velocidade média superior a 26 nós (48 km/h), conquistando, em 1909, a Blue Riband - Fita Azul, troféu concedido à travessia mais rápida do Atlântico. Ele permaneceu invicto nesse recorde por vinte anos, sendo superado pelo navio alemão Bremen, em 1929.
Seu interior condizia com sua grandiosidade em engenharia. Era decorado com vinte e oito tipos de madeira diferentes, mármores, tapeçarias, vitrais e lustres de cristal, possuindo grandes salões de jantar, bibliotecas, fumoirs, escadarias monumentais e até elevadores elétricos! - o que era uma raridade absoluta em 1907. Seu luxo e conforto superaram qualquer outro transatlântico de sua geração.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o Mauretania foi requisitado pelo Almirantado Britânico, servindo, primeiramente, como navio-hospital e, depois, como navio de transporte de tropas, pois sua velocidade o tornava valioso para escapar de submarinos. Embora ele tivesse sido projetado com a possibilidade de armar-se como cruzador mercante, o enorme consumo de carvão para mover suas turbinas inviabilizou sua atuação direta para combate.
Voltando à vida civil, passou por modernizações, em 1922, das quais a mais significativa foi a conversão para o óleo, o que reduziu custos e simplificou a operação. Embora essa reforma não tenha sido simples e tenha exigido uma volta ao estaleiro, só voltando a operar em 1924.
Em 1934, o Mauretania realizou sua última travessia comercial. No ano seguinte, foi aposentado e desmontado em Rosyth, na Escócia. Várias de suas magníficas peças de decoração interior foram vendida em oito dias de leilão.
Ele foi o símbolo da, então, supremacia tecnológica, estética e industrial do Império Britânico na navegação mundial, que combinou potência, elegância e longevidade - vinte e oito anos em serviço ativo.
Mais informações:
Great Oceans Lines (em inglês, com tradução automática)
Royal Museums Greenwich (em inglês, com tradução automática)
Vídeos:
Nautical Study (legendas com tradução automática)

Uma curiosidade sobre navios que sempre me causou dúvida: o significado das letras que precedem o nome de uma embarcação.
O que descobri foi que os prefixos dos navios podem ser agrupados em quatro critérios: sua eventual vinculação com o governo de seu país, o tipo de propulsão que utiliza, sua função ou seu uso civil (comercial ou particular). A lista a seguir, provavelmente, não esgota os prefixos náuticos existentes e pode conter alguma imprecisão. De todo modo, vamos a ela:
Quanto ao vínculo oficial, os prefixos podem significar:
RMS - Royal Mail Ship/Navio do Correio Real (Linhas transatlânticas britânicas com contrato postal com o governo) -Séculos XIX–XX;
HMS - His/Her Majesty’s Ship/Navio de Sua Majestade (Marinha Real Britânica) - Desde o séc. XVII;
USS - United States Ship/Navio dos Estados Unidos (Marinha dos EUA) - Desde o séc. XIX;
USNS - United States Naval Ship/Navio Naval dos EUA (Não-combatente - Apoio logístico da Marinha dos EUA) - Pós-1945.
Quanto ao sistema de propulsão:
SS - Steam Ship/Navio a vapor (Séculos XIX–XX);
PS - Paddle Steamer/Vapor a rodas de pás (Principalmente fluvial e costeiro - 1820–1900);
MS - Motor Ship/Navio a motor a diesel (Substitui o vapor - após 1920);
MV - Motor Vessel/Embarcação motorizada (Carga e transporte - após 1930);
MT - Motor Tanker/Navio-tanque motorizado (Transporte de combustíveis - após 1930);
NS - Nuclear Ship/Navio nuclear (Civil e militar - após 1960).
Quanto à função:
RV - Research Vessel/Navio de pesquisa científica - Oceanografia, geologia etc. (Desde 1930);
TS - Training Ship/Navio-escola - Instrução naval (Desde 1800);
CS - Cable Ship/Navio-cabos - Instalação de cabos submarinos (Desde 1850);
LST - Landing Ship, Tank/Navio de desembarque de tanques (Segunda Guerra Mundial);
FV - Fishing Vessel/Embarcação de pesca - Uso comercial (Permanente).
Quanto ao uso civil:
SY - Steam Yacht/Iate a vapor - Lazer e recreio (Séculos XIX–XX);
MY - Motor Yacht/Iate a motor - Lazer e recreio (Desde 1920);
MVY - Motor Vessel Yacht/Iate motorizado (variação mais moderna - atual);
MV - Motor Vessel/Embarcação civil motorizada - Transporte comercial (Contemporâneo).