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Image by The New York Public Library

Cianotipia

A cianotipia é uma daquelas invenções antigas que parecem mágicas — e, de certa forma, ela é mesmo. Criada em 1842 por Sir John Herschel, essa técnica fotográfica produz imagens em um tom de azul profundo, conhecido como Azul da PrússiaA cianotipia junta ciência e arte.

O processo é simples e encantador: misturam-se dois produtos químicos — citrato de amônio férrico e ferricianeto de potássio —, cobrindo-se um papel, tecido, vidro, metal ou qualquer tipo de superfície que possa ser lavada com a mistura obtida, por meio de um pincel. Espera-se secar e posiciona-se sobre a parte pintada o objeto que se queira fotografar: uma folha, uma flor, um molde recortado ou mesmo um negativo fotográfico. A seguir, basta expor à luz do sol (ou câmara de luz ultra-violeta) e voilà, a mágica acontece! Então, basta lavar a superfície em água corrente, com cuidado e a bela imagem azul se revelará.

Embora não seja muito popular, a cianotipia é usada ainda hoje por artistas e aqueles que amam um charme artesanal. O resultado é sempre único: manchas, nuances, imperfeições e aquele azul impossível de reproduzir com filtros digitais. Há variações da técnica em outras cores como rosa e amarelo. 

É uma técnica segura, simples, de baixo custo e encantadora! 

Que tal começar um novo hobby?

 Abaixo, alguns vídeos interessantes sobre cianotipia:

Lab Club

O Retratista

Conexão Ciência

Sec Ver

Nesse link, encontramos elementos sobre a técnica e sua história - Cyanotypes: the origins of photography (site em inglês, com recurso de tradução automática do navegador). E neste outro, um passo-a-passo interessante - Totenart

ANNA ATKINS​

Quem primeiro percebeu o potencial artístico dessa mágica azul foi Anna Atkins, uma botânica britânica que, em 1843, publicou o primeiro livro da história ilustrado com fotografias — tudo feito com cianotipias de algas. Ela foi a primeira a usar a fotografia como arte científica antes mesmo de virar moda.

Anna nasceu em 1799, na Inglaterra, filha do químico e cientista John George Children, o que explica parte do espírito inquieto dela. Em vez de bordar ou tocar piano, como era comum para as damas de sua época, Anna, com incentivo do pai, preferia coletar plantas, observar algas e experimentar processos científicos. Ela era uma ilustradora talentosíssima. 

O inventor da técnica, Sir John Herschel, era amigo de Anna e lhe apresentou a cianotipia ainda em 1842. Ela percebeu de imediato que aquilo poderia revolucionar a forma de registrar a natureza e começou a explorar o método. Com ele, compôs o maravilhoso livro Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions (1843), um livro inteirinho composto por impressões azuis de algas marinhas britânicas. Para isso, não usou nenhuma câmera, nenhum negativo de vidro — só luz solar, sais de ferro e sensibilidade. É o primeiro livro fotográfico do mundo. O trabalho de Anna foi científico, mas também muito poético. Suas imagens parecem flutuar num oceano azul, de formas delicadas, etéreas, quase meditativas. Ela transformou um método químico em arte, muito antes de alguém pensar em “fotografia artística”. Ela produziu, ao que parece, quatorze exemplares de seu livro, todos feitos e encadernados à mão. Na atualidade, os exemplares que resistiram ao tempo pertencem a coleções de museus e bibliotecas. Em 2018, um exemplar de um único volume do livro completo foi leiloado por cerca de US$250.000,00 (o que equivaleria a mais de um milhão de reais!). 

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