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Image by Chris Haws

Máquinas Fotográficas

Ermanox

A Primeira Ernamox a Gente Nunca Esquece...

Lançada em 1924 pela Ernemann Werke Dresden, a Ermanox surgiu em um momento em que a fotografia ainda dependia de grandes equipamentos, placas fotográficas pesadas e, sobretudo, de luz abundante ou flash. Ela foi um marco, pois era compacta para os padrões da época e usava placas de 4,5 × 6 cm, tornando-se célebre graças a um componente revolucionário: suas lentes Ernostar, projetadas por Ludwig Bertele, que podiam chegar à abertura extraordinária de f/1.8.

Era a lente mais luminosa disponível para uso fotográfico comercial até então, e possibilitava algo quase mágico para os fotógrafos do início do século XX: capturar imagens em interiores, reuniões noturnas e ambientes com luz mínima, algo impensável com as câmeras tradicionais de estúdio.  Ermanox oferecia não apenas sensibilidade, mas também velocidade, antecipando características que mais tarde se tornariam essenciais no fotojornalismo.

Foi com ela que Erich Salomon, considerado um dos pais da fotografia política moderna, registrou discretamente líderes mundiais, gabinetes, salas de conferência e bastidores diplomáticos. A Ermanox transformou a câmera em uma testemunha silenciosa dos corredores do poder, inaugurando a era da fotografia sigilosa e de observação social.

Apesar de seu papel inovador, sua glória foi relativamente breve, pois poucos anos depois o domínio das câmeras de filme 35mm iniciaria uma nova fase da fotografia. Ainda assim, a Ermanox permanece como um marco: a primeira câmera verdadeiramente capaz de ver na penumbra, abrindo caminho para o fotojornalismo moderno e revelando ao público aquilo que antes acontecia longe das luzes do estúdio.

Para saber mais: FlickRiver (em espanhol com tradução automática disponível).

LEICA 35 mm

A evolução

A Leica 35 mm, desenvolvida pelo alemão Oskar Barnack, num projeto que durou 13 anos, fabricada pela Leitz Camera - cujas sílabas iniciais de ambas as palavras formam o nome dado à câmera - especializada em microscópios e miras para armas, do visionário Ernst Leitz II, no difícil pós Primeira Guerra, chegou ao mercado em 1925 - apenas um ano após o lançamento da Ermanox! - e trouxe consigo uma revolução na fotografia e sua popularização. Era um novo conceito em termos de câmera: leve, fácil de transportar, compacta, funcional, com resultados superiores. Não foi à toa que a ideia conquistou o mundo e mudou para sempre o mundo dos fotógrafos. Sua revolução foi a ousada ideia de usar de forma adaptada o filme cinematográfico de 35 mm para a fotografia fixa. Isso libertou os fotógrafos das placas de vidro e do estúdio, permitindo que vária fotografias fossem feitas rapidamente, em sequência, o que antes era impensável, com várias exposições em um único rolo, inaugurando a possibilidade de uma nova estética na arte fotográfica. 

Com a Leica II,  Henri Cartier-Bresson elevou a fotografia de rua e o “instante decisivo”.  

Se a Ermanox permitiu que a fotografia entrasse nos salões escuros, a Leica I permitiu que ela saísse para as ruas, para o cotidiano, para a circulação espontânea do mundo.

A portabilidade fácil trouxe liberdade e, com isso, nasceu a fotografia moderna.

Para saber mais: PhotoChannel. 

A Leica original I inventada por Barnack e lançada em 1925 com a lente Leica 50mm f/3.5 ELMAR original. Foto de Kameraprojekt Graz 201 e licenciada sob CC BY-SA 4.0.

LEICA M4

O Aperfeiçoamento do que já Era Bom

A Leica M4, lançada em 1966, tornou-se um dos modelos mais emblemáticos da fotografia analógica. Pertencente à linha M, que ficou famosa pelo uso do telémetro, um sistema de foco manual preciso onde o fotógrafo alinha duas imagens no visor, a M4 consolidou décadas de refinamento em câmeras compactas de 35 mm pensadas para trabalho rápido, silencioso e preciso. A letra M indicativa da linha vem do alemão Messsucher, que significa “telémetro”.

Seu corpo totalmente mecânico, com peças ajustadas com altíssima precisão, tornou-a referência de durabilidade, ao mesmo tempo que permitiu uma operabilidade mais suave.   

A M4 introduziu melhorias que mudaram a experiência de uso em campo: o sistema de carregamento de filme mais rápido e intuitivo, a manivela de rebobinagem que substituiu o antigo botão, e o visor com linhas para lentes amplamente usadas, como 35 mm, 50 mm, 90 mm e 135 mm, dando versatilidade aliada à agilidade. Mesmo sem fotômetro interno, ela apostou na autonomia do fotógrafo e na confiabilidade mecânica absoluta, propondo ser uma câmera que funcionava em qualquer condição, sem depender de baterias. Por ser compacta, silenciosa e discreta, a M4 oferecia uma forma de fotografar que privilegiava atenção, precisão e envolvimento direto com a cena. Foi uma câmera sofisticada, do ponto de vista técnico, mas minimalista no design. Era preferida por fotógrafos que se guiavam pelo toque, sensibilidade e domínio do equipamento. 

Para conhecer mais: Leica Portugal.

ROLLEIFLEX

Talvez a mais imitada...

A Rolleiflex é uma câmera lendária no mundo da fotografia. Criada na Alemanha em 1929 pelos irmãos Heinrich e Paul Franke, da empresa Franke & Heidecke, ela trouxe um conceito novo: o design twin-lens reflex (TLR). A câmera tinha duas lentes idênticas, uma para capturar a imagem no filme e outra para o visor, permitindo que o fotógrafo enquadrasse e focasse com precisão sem que a imagem desaparecesse ao disparar.

Além disso, a Rolleiflex usava filme  de formato médio (6×6 cm), produzindo imagens muito maiores e mais detalhadas que as câmeras de 35 mm da época, possibilitando ampliações de alta qualidade e fotografias extremamente nítidas. Apesar disso, era relativamente compacta, robusta e fácil de manusear, ideal tanto para estúdios quanto para fotografias externas.

Sua característica mais curiosa, talvez, seja que seu visor ficava no topo da câmera, fazendo o fotógrafo olhar de cima para baixo ao enquadrar a cena. Essa posição ajudava a criar composições diferentes, tanto em retratos como em fotografia de rua.

Ela se destacou em retratos, moda, fotojornalismo e fotografia de rua, sendo adotada por fotógrafos famosos como Richard Avedon e Diane Arbus. Ao longo dos anos, ela ganhou versões cada vez mais sofisticados, incluindo modelos com avanço automático de filme, mas sempre mantendo a precisão, a qualidade e a confiabilidade que fizeram dela uma câmera profissional clássica.

Em 1948, por exemplo, uma fotógrafa profissional provavelmente usaria uma Rolleiflex Automat, equipada com lentes como a Tessar 75 mm, para fotografar certas peças para um catálogo...

A Rolleiflex permanece como um ícone da fotografia, não apenas pela qualidade de suas imagens, mas também pela engenhosidade de seu design, que ainda inspira fotógrafos e colecionadores ao redor do mundo.

​Para saber mais:

Laranjeiras Brasil

Early Photography

Câmeras de Báscula

Segundo consta, nossa intrépida fotógrafa ficou dividida entre usar a sua Rolleiflex - que estou assumindo que fosse uma Automat Model 1 - e uma câmera de báscula para fotografar as joias de um certo e bem posicionado joalheiro. 

As câmeras de báscula, também conhecidas como view cameras, representaram uma evolução significativa na fotografia de grande formato, pois introduziram certa flexibilidade ao final do bellows (sanfona), permitindo movimentos precisos da lente e do filme, como tilt, shift e swing, que possibilitavam o controle da perspectiva e da profundidade de campo.

Antes delas, só existiam as câmeras rígidas, compostas por um corpo fixo e robusto, geralmente construído em madeira ou metal, e utilizavam placas de vidro  - ou até filmes em rolo - para capturar as imagens. Elas ofereciam excelente qualidade de imagem, mas não possuíam os movimentos ajustáveis que as câmeras de báscula viriam a oferecer.

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